Um dos itens que melhor avaliam a saúde de um indivíduo é o índice glicêmico. É a medida que apura a taxa de açúcar no sangue. Para evitar a hiperglicemia prandial, deve-se consumir alimentos de baixo indice glicêmico. Há casos em que a hiperglicemia pode se transformar em algo ainda mais sério: uma hiperinsulinemia.
A alta da glicemia provoca alteração inflamatória no endotélio vascular, causando hipertensão e doenças vasculares como placas de ateroma. A hiperglicemia também favorece o depósito de gordura no fígado e a resistência insulínica - primeiro passo para o aparecimento da diabetes tipo 2.
-- Devemos sempre optar por alimentos com baixa carga glicêmica (produtos diet) - aconselha o endocrinologista Tércio Rocha. -- Ingerindo refeições com índice glicêmico (IG) alto, o fígado lança quantidades enormes de insulina na corrente sanguínea. Isso para manter normais os níveis de açúcar no sangue.
A insulina é um hormônio que leva o açúcar para dentro dos músculos na forma de glicogênio, mas estes depósitos musculares têm uma capacidade limitada. Assim, todo o excesso de glicose no sangue é convertido em ácidos gordurosos e triglicérides, subseqüentemente transformado e armazenado na forma de gordura.
Uma dieta com baixo índice glicêmico, rica em fibras, grãos integrais, azeite e produtos light favorece a digestão. Também melhora o funcionamento intestinal e a absorção de micronutrientes essenciais. Ainda diminui a produção de insulina, que tem efeito catabólico -- destrói estruturas nobres do organismo, como a parede celular - e o indivíduo sacia-se logo, com um baixo volume ingerido. Alto IG provoca mais produção de radicais livres.
Para manter em baixa o IG deve-se começar as refeições com saladas de verduras e legumes com azeite. As fibras e o azeite retardam o tempo de absorção dos alimentos. O uso de arroz integral, granola, legumes (ao vapor ou grelhados), folhas verdes, frutas in natura e sucos sem coar também é fundamental numa refeição saudável. Os portadores de alto IG devem evitar ao máximo produtos industrializados, lácteos e doces.
O índice glicêmico de determinados alimentos varia de acordo com os ingredientes ou o modo de preparo. Tem alto IG bolo de milho preparado com farelo fino, o risoto com arroz branco e suco coado. Já têm baixo IG o mesmo bolo de milho feito com farinha grossa, risoto com arroz integral e suco com bagaço.
Segundo Tércio Rocha, para se ter certeza quanto ao índice glicêmico de um paciente, é preciso aferir a taxa de glicemia sanguínea em jejum ao despertar e duas horas após as principais refeições (almoço e jantar). Para fazer esta leitura, utiliza-se um aparelho chamado Optimun Exceed, que registra o índice de glicose no sangue, coleta e armazena em sua memória esses níveis glicêmicos.
Basta conectar o aparelho a um computador que tenha um programa específico e tem-se a variação glicêmica em gráficos. O médico também fica sabendo do grau de resistência do paciente à insulina.
Este procedimento é apontado, atualmente, como a melhor arma para detectar diabetes tipo 2 e doenças vasculares.
O Optimun Exceed permite ao médico verificar com precisão a variabilidade glicêmica do paciente e, consequentemente, avaliar a necessidade de usar insulina, antidiabéticos orais e dietoterapia.
Esta avaliação fornece informações para que o especialista ajuste a dieta do paciente e preescreva exercícios, se necessário.
O acompanhamento médico possibilita observar se o paciente está sadio, diabético, pré-diabético ou em estado inflamatório crônico. Este método torna possível saber da eficiência do tratamento adotado.